
Você se acha bom motorista? Os dados discordam
Nove em cada dez motoristas brasileiros afirmam se sentir seguros ao volante. Entre os especialistas em segurança viária, porém, menos da metade compartilha dessa percepção. Esse abismo entre autoavaliação e realidade é um dos maiores fatores de risco nas estradas do país — e um estudo internacional acaba de colocar o Brasil em destaque por isso.
O que a pesquisa revelou sobre confiança ao volante
Um estudo da Economist Enterprise, realizado com apoio da fabricante italiana Brembo, ouviu mais de 6 mil pessoas em dez países para entender como motoristas e especialistas avaliam a segurança no trânsito.
Os resultados são reveladores:
- 9 em cada 10 motoristas afirmam se sentir seguros ao dirigir.
- Entre especialistas em segurança viária, menos da metade compartilha dessa avaliação.
- O Brasil figura entre os países onde os condutores demonstram maior confiança — mesmo diante de elevados índices de acidentes e de rodovias complexas.
Essa diferença entre o que o motorista acredita e o que os dados mostram tem nome: viés de excesso de confiança. E ele pode custar caro.
Por que superestimar a própria habilidade é perigoso?
Quem se considera um motorista acima da média tende a subestimar riscos, adotar comportamentos menos cautelosos e reagir mais devagar diante do inesperado. O problema não é ter confiança — é ter mais confiança do que a habilidade real justifica.
Na prática, esse excesso de confiança se traduz em:
- Velocidade acima do limite "porque sei controlar o carro".
- Uso do celular ao volante "só por um segundo".
- Menor distância de seguimento "porque tenho reflexo rápido".
- Pouca atenção ao clima, à sinalização e ao estado do asfalto.
Cada um desses comportamentos aumenta a margem de erro — e nas rodovias brasileiras, onde imprevistos são frequentes, margem de erro reduzida significa risco elevado.
A tecnologia ajuda, mas não substitui o motorista
O estudo aponta uma mudança importante no perfil dos riscos: o principal desafio para a segurança viária deixou de ser a falta de tecnologia. Hoje, o problema está na forma como os motoristas utilizam — ou subutilizam — os recursos disponíveis.
Os sistemas eletrônicos de assistência à condução (ADAS), presentes em carros cada vez mais acessíveis, foram criados para reduzir acidentes. Freio de emergência automático, alerta de faixa, controle de estabilidade — todos são aliados reais. Mas há um risco silencioso: quando o motorista confia demais nesses sistemas, baixa a guarda.
Como resume o presidente do Sinaceg, José Ronaldo Marques da Silva: "Segurança não é apertar um botão e transferir decisões para o carro. Ela continua dependendo da capacidade do motorista de ler o ambiente, antecipar riscos e agir no momento certo."
A mensagem é clara: quanto mais tecnologia, maior precisa ser a consciência de quem está no volante — não menor.
Direção defensiva: a habilidade que a confiança não substitui
Dirigir bem não é apenas não bater. É antecipar o que os outros vão fazer, adaptar a velocidade às condições da via, manter o foco mesmo em trajetos conhecidos e reconhecer os próprios limites.
Essa capacidade — chamada de direção defensiva — é justamente o que diferencia um condutor experiente de um condutor apenas confiante. E ela se desenvolve com prática deliberada, não com anos no volante no piloto automático.
Se você sente que dirige há muito tempo, mas nunca recebeu um feedback real sobre o próprio estilo de condução, pode estar acumulando erros sem perceber. Trabalhar com um instrutor de trânsito credenciado é uma forma eficaz de identificar hábitos perigosos e corrigi-los antes que se tornem um problema.
Como saber se você está no grupo dos superconfiantes?
Algumas perguntas honestas para se fazer:
- Você costuma ultrapassar o limite de velocidade "porque a via está vazia"?
- Você usa o celular ao volante mesmo que seja "rapidinho"?
- Quando foi a última vez que você teve uma avaliação real da sua condução?
- Você sabe quando — e como — seus sistemas de assistência (ABS, controle de estabilidade) atuam?
Se a resposta a qualquer uma dessas perguntas te deixou desconfortável, esse desconforto é útil. Ele é o primeiro passo para dirigir com mais consciência.
Quem está tirando a CNH agora tem uma vantagem: aprende as boas práticas desde o início. Se quiser entender como esse processo funciona, o guia completo sobre como tirar a CNH em 2026 pode ajudar.
O que inovação, capacitação e direção defensiva têm em comum
Para entidades especializadas no transporte profissional, como o Sinaceg, a resposta para melhorar a segurança nas estradas brasileiras passa por três pilares que precisam caminhar juntos:
- Inovação tecnológica — veículos mais seguros e sistemas de assistência cada vez mais eficientes.
- Capacitação contínua — motoristas que entendem os recursos do veículo e sabem usá-los corretamente.
- Direção defensiva — atitude consciente, ativa e adaptável em qualquer situação.
Nenhum dos três substitui os outros dois. Um carro cheio de tecnologia nas mãos de um motorista despreparado — ou superconfiante — ainda é uma combinação de risco.
NOTA: Vigente em outubro/2026
Perguntas frequentes sobre confiança e segurança ao volante
Por que motoristas brasileiros se consideram tão seguros mesmo com altos índices de acidente?
O viés de excesso de confiança é um fenômeno psicológico documentado globalmente: as pessoas tendem a avaliar suas próprias habilidades acima da média. No Brasil, esse padrão é especialmente marcante, segundo o estudo da Economist Enterprise com mais de 6 mil motoristas em dez países.
Os sistemas de assistência à condução (ADAS) tornam o carro mais seguro automaticamente?
Eles ajudam, mas não garantem segurança por si sós. O uso incorreto ou a dependência excessiva dessas tecnologias pode até aumentar riscos, pois o motorista reduz a atenção esperando que o carro "resolva". A tecnologia é uma aliada — a responsabilidade continua sendo humana.
Como melhorar minha habilidade ao volante depois de anos dirigindo?
Uma avaliação com um instrutor de trânsito credenciado é um bom ponto de partida. Ele identifica hábitos que você já nem percebe e sugere correções práticas. Você pode encontrar instrutores credenciados pela Drivo e agendar sessões de aprimoramento diretamente pelo app.
Direção defensiva é só para quem está tirando a CNH?
Não. Direção defensiva é uma prática contínua, recomendada para qualquer motorista em qualquer fase. Ela envolve antecipar riscos, adaptar o comportamento às condições da via e manter o foco — habilidades que se perdem quando a confiança supera a atenção.
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